São poucos os loucos que amam de morrer de amor... O difícil, é, para mim, em minha loucura, acreditar que seja possível esse "morrer" sem matar.
Embora antropofagia seja parte de ritos tribais, e beijos sejam ato de carinho, ficando ambos, em seus conceitos, um tanto distanciados da ideia de instinto, a minha insanidade questiona. Enfim, não é difícil relacionar o ato de beijar com o mais sublime sentimento. No entanto, ninguém reconhece a voracidade antropofagica dos beijos.
No trânsito entre loucura e razão, volto a respeitar os obstáculos de consciência, e pensar que comer alguém, no sentido mais "puro" do verbo, é profano demais para aproximar-se da palavra amor. E o trânsito não para. E reconheço a overdose de afeição pelo ser humano que deve ocorrer no saborear da carne.
Acredito, que há, sim, o desejo de alimentar-se de um beijo. Embora, os humanos, diferenciando-se dos vampiros (personagem criado a partir de, penso eu, uma face oculta do homem) controlem-se, quem sabe, pela preservação da própria espécie?
Lembro, de ter ouvido em algum lugar, que, coerencia é coisa de psicopata. Ah, essa frase! Deve libertar a antropofagia instintiva presente nos que amam de morrer de amor, já que ser coerente o tempo todo, assimilando os valores religiosos de uma sociedade cristã e uma educação voltada para a valorização da vida, enfim, assimilar tudo o tempo todo, essa coerencia toda é coisa de psicopata. Libertemos nossos instintos então! Mas... a propósito, comer carne humana não é sociopatia também?



